quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Juros chegam a 403,5% ao ano



Os juros ao consumidor continuam rompendo todas as barreiras. Em agosto, as taxas do crédito rotativo cravaram 403,5% ao ano, o maior patamar da série histórica iniciada em março de 2011, segundo divulgou ontem o Banco Central. Isso significa que aqueles que estão pagando o valor mínimo da fatura do cartão correm sérios riscos de ficar inadimplente. As tarifas do cheque especial, outra modalidade de crediário pré-aprovado, atingiram a marca de 253,2% ao ano – o maior resultado desde setembro de 1995. O uso dos empréstimos para manter o padrão de consumo diante de uma economia em recessão ampliou o saldo devedor das famílias junto aos bancos no mês passado, gerando uma dívida de quase R$ 1,5 trilhão.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, foi pontual ao resumir os números apresentados pela nota de crédito de agosto. “Estamos em um nível relativamente elevado das taxas de juros. O ciclo da alta da taxa básica de juros (Selic) foi determinante para esse comportamento”, resumiu. Em outubro do ano passado, a taxa saiu de 11% ao ano, para 14,25% ao ano em maio passado, contribuindo diretamente para o crescimento dos encargos.

Como ficou mais caro para os bancos captarem recursos em decorrência da disparada da Selic, os custos são repassados para o consumidor, destaca o economista João Morais, da Tendências Consultoria. Em agosto, o spread bancário – diferença entre o que as instituições financeiras pagam pelos recursos e quanto cobram dos clientes – atingiu 47,4 pontos percentuais, o maior valor da série histórica, datada desde 2011.

Com a inflação pressionando o orçamento das famílias em meio a um mercado de trabalho desaquecimento, a expectativa é de que as taxas de juros continuarão subindo. “A desaceleração da massa de rendimentos vai impactar em mais riscos às instituições financeiras”, afirmou Morais. Como mecanismo de prevenção contra possíveis calotes, o aumento dos juros será natural.

Fonte: Site UAI
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