domingo, 6 de setembro de 2015

Problema de segurança pública não é só da polícia', diz Beltrame



A segurança pública no Rio de Janeiro foi um dos temas debatidos no Café Literário da 17ª Bienal do Livro neste sábado (5), no Riocentro, na Zona Oeste. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, foi um dos convidados e debateu as questões atuais vividas pela sociedade e os recentes acontecimentos violentos na cidade. Beltrame se mostrou confiante em relação à segurança no país e afirmou que, em muitas situações, o problema não é só da polícia. "Eu estou confiante com a questão da segurança pública no país por dois motivos: primeiro, porque eu acho que o país acordou. As pessoas também estão vendo que segurança pública não é só a polícia", disse. Um dos exemplos citados sobre o problema de segurança pública não ser exclusivo da polícia, foi o caso do médico Jaime Gold, esfaqueado na Lagoa enquanto andava de bicicleta. "As pessoas dizem: 'faltou policiamento, secretário'. Obviamente, já que uma pessoa morreu. Mas aquele jovem e ele já foi detido 15 vezes. Na décima sexta vez, ele comentou um homicídio. Aí eu me perguntei 'será que faltou polícia?'. Se ele foi encaminhado ao sistema 15 vezes, o que que fizeram com ele? Quem é o pai e a mãe dele? Se na quinta, na sexta ou na sétima vez tivessem acolhido esse jovem, talvez o homicídio não tivesse acontecido. Eu acho que as pessoas devem criticar a polícia, devem cobrar a polícia, mas nós temos que ter um olhar mais largo para a questão da violência urbana que é uma coisa que vêm com as pessoas desde pequenas", explicou o secretário. Beltrame afirmou também que a polícia ainda é vista como o "patinho feio". Segundo ele, a categoria não recebe devida atenção por parte das autoridades "Hoje, você tem ministérios de Saúde, de Educação, mas você não tem o de Segurança Pública, porque segurança pública é sinônimo de polícia e, para muitos políticos, polícia nunca deu voto e não vai ser agora que vai dar", completou. Durante a conversa, o secretário foi aplaudido ao convidar as pessoas para "abraçarem a favela" e ao dizer que a sociedade tem um olhar marginalizado dessa região. "Nós precisamos abraçar a favela. O pessoal quer a favela para arrumar cozinheira, passadeira e babá. E as pessoas me perguntam: 'Beltrame, o que eu posso fazer para ajudar?'. Eu digo: 'coloque um tênis domingo de manhã, tome o seu café, pegue a sua esposa e vá caminhar lá dentro [da favela]. De repente, se você é médico, você pode arrumar um lugarzinho para fazer consulta", afirmou. Beltrame também falou sobre a criminalidade no estado. "O Rio de Janeiro tem coisas que você não encontra em nenhum outro lugar do mundo, que são três facções criminosas que se armaram com armas de guerra para brigar entre si por um espaço de venda melhor. Tem lugares que são uma maravilha, como a Lagoa Rodrigo de Freitas, que você não tinha um homicídio há não sei quanto tempo, e você tem lugares que é guerra. Esses lugares são ilhas de violência", disse Beltrame. O público que lotou o espaço não pode fazer perguntas ao secretário. Junto com o secretário participou do debate o pesquisador, Marcelo Zacchi. No fim da palestra, o secretário de segurança recebeu o público para autografar o livro "Todo dia é segunda-feira", lançado em 2014.
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