segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A modernidade chegou ao futebol brasileiro



A tendência é a CBF cuidar única e exclusivamente da Seleção Brasileira

Bati longo papo com o CEO da Liga Sul-Minas-Rio, Alexandre Kalil (foto), e com o presidente da Liga, Gilvan de Pinho Tavares, na sexta-feira. Ambos estavam eufóricos pela criação da Liga e esperançosos de um futuro melhor para os times brasileiros. Eu não tinha dúvida de que a CBF não criaria obstáculo. Primeiro, porque Marco Polo Del Nero é amigo de Kalil e o respeita muito. Segundo, porque ele sabe que isso é só o começo para a formação de uma Liga Nacional, que dirigirá os destinos dos clubes do país. A tendência é a CBF cuidar única e exclusivamente da Seleção Brasileira, como ocorre no mundo inteiro. As federações estaduais devem ser extintas, pois a existência delas não se justifica. Na Europa, não existe isso. Há uma confederação e as ligas. Também não há tribunais esportivos – a própria organização das ligas define as punições. Exemplo: um jogador cospe no outro e pega 10 jogos. Se der uma cotovelada, 20 jogos, e assim por diante. Não existe efeito suspensivo. Quem é suspenso fica mesmo fora dos jogos, sem apelação. Aqui, como tudo no país, é uma bagunça. As leis existem, mas raramente são cumpridas. Jogador suspenso disputa uma final amparado por efeito suspensivo. Uma vergonha.

Quando fiquei sabendo que Alexandre Kalil seria o executivo da Liga, cujo nome será Primeira Liga, tive a certeza de que a coisa caminharia para um final feliz. Kalil é determinado, mudou a história do Atlético e transformou-se, rapidamente, num dos dirigentes mais respeitados do país. Com ele não tem conchavo ou falcatrua. É preto no branco. Vale a palavra, o fio do bigode, como nas épocas em que o Brasil era sério. Por enquanto, serão 15 clubes em 2016, mas já há pedidos para 2017, entre eles, de Botafogo e Ponte Preta. Isso mostra credibilidade. Kalil já esteve na TV Globo para ouvir a proposta da emissora para a transmissão dos jogos e vai ouvir ofertas de outros canais. Tenho a certeza de que vai priorizar quem pagar mais, e não sei até que ponto a emissora carioca vai querer pagar o que a competição valerá. Cá pra nós, já passou da hora de outras emissoras comprarem o futebol.

Acredito que até o ano que vem os clubes que não aderiram à Liga vão repensar e perceber que chegou a hora de se desvencilhar da CBF e das federações. A independência chegou e, juntos, esses clubes são fortes o suficiente para definir suas vidas, para negociar com as TVs sem depender de intermediários. E, com o Refis, os clubes praticamente zerarão suas dívidas e podem ter um futuro melhor. Não há mais espaço para dirigentes amadores e irresponsáveis. Cada um vai responder pelo que fizer. Felizmente, há uma boa safra de dirigentes Brasil afora. Em Minas temos três do mais alto nível e transparência: Kalil, Gilvan e Nepomuceno. É disso que o futebol precisa. Gente independente, que não tira um centavo do clube e que o gere apenas pelo amor. Chega de bandidos, que enriqueceram às custas dos clubes, roubando-os, principalmente na negociação de jogadores e dividindo comissões com empresários, sendo o dinheiro depositado em paraísos fiscais.

A Liga chegou para mudar o futebol brasileiro. Haverá um produto decente para vender, pois serão grandes jogos na Copa Sul-Minas-Rio. E os estaduais, que deveriam acabar, estão por um fio. Quando a Liga Nacional for criada, não haverá mais espaço para jogos em campos ruins, com público e renda pífios, que nem sequer pagam as despesas dos grandes clubes. Quem não tem competência que não se estabeleça. Clubes sem torcida e sem apelo não podem frequentar o mesmo patamar dos principais times do país. Tem gente que quer fazer média e cita clubes de porte médio para pequeno como fortes o suficiente para estar na elite do Brasileiro. Mentira, tanto assim que, quando sobem num ano, caem no seguinte. E que a fórmula de pontos corridos, que premia o time mais regular, seja mantida.

Só acho que um ponto deve ser mudado: deveriam subir dois times e cair dois. Essa de caírem quatro e subirem quatro não é a ideal. Na Europa caem três, e, ainda assim, se um dos três for um grande clube, ele tem o direito de disputar com um dos que vão subir, para ver quem realmente estará na Primeira Divisão no ano seguinte. A modernidade chegou ao futebol brasileiro. A Primeira Liga, como o próprio nome diz, é apenas o começo da moralização. Os clubes estão acordando para a força que têm e não há mais volta. Daqui para frente teremos grandes jogos, grandes públicos e rendas excepcionais. Parabéns a quem teve coragem de dar o grito de independência. Eles serão lembrados eternamente, pois ficarão na história.

Fonte: Super Esporte
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